EDUCAÇÃO ESPÍRITA E FELICIDADE

Adilson José de Assis

Uberlândia – MG

“A busca da felicidade é a coisa mais bem distribuída do mundo” [1] Quem em sã consciência não quer ser feliz ainda nesta existência? Voltaire já dizia que “os homens que procuram a felicidade são como bêbados que não conseguem encontrar a própria casa, mas sabem que têm uma”.  A Doutrina Espírita nos ensina que a infelicidade surge no momento que nos afastamos das Leis Divinas e que tal lei encontra-se gravada em nossa consciência [2]. No processo de construção do conhecimento a humanidade vai dia-a-dia descortinando tais leis, sejam elas relativas ao mundo físico, sejam relativas à vida moral. Uma Lei Divina é a lei da Gravitação Universal. Quando tentamos ir contra esta lei física, de modo inadequado, saltando do topo de um telhado por exemplo, podemos quebrar o braço, e, como conseqüência, teremos a visita da dor. No campo moral acontece o mesmo: tentativas de burlar a Lei Divina (orgulho ferido, ambição frustrada, avareza, inveja, ciúmes, paixões) redundam em processos provacionais ou expiatórios, sendo nós mesmos os causadores destes males.

Sendo a Terra um mundo de provas e expiações a completa felicidade aqui não é possível. Entretanto, depende do homem a suavização de seus males e ser tão feliz quanto possível. O homem é quase sempre o obreiro da sua própria infelicidade, sendo que a felicidade relativa que podemos desfrutar surge com a prática da Lei Divina. Existe uma cota de felicidade comum a todos os homens? Segundo os Espíritos Superiores a resposta é SIM. Com relação à vida material é a posse do necessário (à vida, à saúde e conforto do corpo físico, à realização profissional), sendo este “necessário” dependente do contexto de vida e tarefas a desempenhar de cada um. Com relação à vida moral é a consciência tranqüila e a fé no futuro.

“Os males deste mundo estão na razão das necessidades ‘factícias’ que vós criais”. Sábias palavras estas dos Espíritas, nestes tempos de culto excessivo da estética do corpo físico e de consumismo desenfreado. “A muitos desenganos se poupa nesta vida aquele que sabe restringir seus desejos e olha sem inveja para o que esteja acima de si. O que menos necessidades tem, esse o mais rico.”(grifos nossos)

Muitos males (ou infelicidades) surgem pelo fato da pessoa não seguir sua vocação (ou sua programação reencarnatória). “Os pais (por orgulho ou por avareza) desviam seus filhos da senda que a Natureza lhes traçou” sendo a inaptidão para a carreira abraçada fonte inesgotável de reveses. “Se uma educação moral o houvesse colocado acima dos tolos preconceitos do orgulho, jamais se teria deixado apanhar desprevenido”. (grifos nossos)

Mas afinal, o que tudo isto tem a ver com a Educação Espírita?

Sendo a Doutrina Espírita fonte de informação preciosas acerca de nossa realidade corpo-mente-espírito, descortinando-nos as Leis Morais, as relações entre o mundo dos encarnados e dos desencarnados, tal doutrina constitui fonte importantíssima de reflexões capazes de nos orientar a fim de conquistarmos a felicidade relativa que podemos desfrutar neste mundo. Isto constitui uma tarefa educativa das mais importantes. Se nas escolas do mundo aprendemos a ser um bom profissional, a sermos um cidadão do país e do mundo, na escola do espiritismo iremos aprender a nos portar perante nossa própria consciência. Iremos aprender as leis que nos regem enquanto seres espirituais, cidadãos do universo, em suas múltiplas dimensões.

Deste modo, a Casa Espírita preocupada com a felicidade e o bem estar de seus participantes e trabalhadores pode (e deve) desenvolver atividades esclarecedoras a fim conhecermos melhor as Leis Divinas, pois só a prática das mesmas pode nos garantir a tão sonhada felicidade, tão bem traduzida na síntese: posse do necessário; consciência tranqüila e fé no futuro!

OBS: Todas as citações, exceto as duas primeiras, são de O Livro dos Espíritos.

Referências Bibliográficas:

[1] COMTE-SPONVILLE, ANDRÉ. A Felicidade, Desesperadamente. Martins Fontes, 2001.

[2] KARDEC, ALLAN. O Livro dos Espíritos. Q. 614, 621, 920-928, 931 e 933, 67a. ed. FEB,  1987.

Copyleft:Permitida a reprodução citando o autor e incluindo um link ao artigo original

Sobre Adilson J. de Assis

Professor e pesquisador na Faculdade de Engenharia Química, Universidade Federal de Uberlândia. Interesses: História da Ciência e da Tecnologia; Filosofia da Ciência e da Tecnologia; Ciência e espiritualidade; Novas metodologias no ensino de engenharia.
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