“Querer é poder” na visão espírita?

1) A trajetória de vida de João Carlos Martins

“A vida é feita com a disciplina de atleta e a alma de um poeta”. (JCM)

Nasceu em 1940.

Considerado pela crítica mundial como um dos maiores intérpretes do compositor alemão Johann Sebastian Bach, Martins tocou com orquestras do mundo todo.

Em seu melhor momento como pianista ele era capaz de dedilhar mais de 20 notas por segundo.

O pianista se tornou maestro após uma série de problemas nas mãos em decorrência de acidentes, esforço repetitivo, problemas de saúde e violência.

“Aos oito, comecei a estudar. Seis meses depois, ganhei um concurso tocando Bach. Aos 21, toquei no Carnegie Hall. Aos 26, pensei que o sonho morreria ali.”

Dos 18 aos 26 anos, minha vida parecia que ia ser só sonho”, pontua ele, para em seguida contar o primeiro pesadelo. Era verão de 1965 em Nova York e aceitou o convite para treinar com o time da Portuguesa, que estava em turnê nos Estados Unidos com apenas 18 jogadores. “Completei um dos times no treino no Central Park, mas acabei caindo e uma pedra entrou no meu braço, na altura do cotovelo, dando início ao meu calvário”, conta Martins, que teve o nervo cubital atingido na queda.

A lesão no nervo e os problemas com a mão direita o fizeram abandonar a carreira pela primeira vez em 1970. “Parei por frustração, não tinha coragem de entrar numa sala de concerto. Queria apagar aquilo da minha vida”, relata. O descompasso entre sua condição técnica e a física resultou numa pausa de sete anos, quando decidiu trabalhar no mercado financeiro.

Mas em 1978 Martins surpreenderia o mundo com sua volta. “Superei todos os problemas. Fiz operações, fisioterapia e consegui voltar melhor do que antes.” O retorno marcou o começo da gravação da obra completa de Bach, mas o projeto foi interrompido em 1985, quando sofria, na forma de LER (Lesão por Esforço Repetitivo), os efeitos dos longos anos de estudos. “Consegui me superar, mas tocando numa posição forçada, não natural”, relata. Nova parada de sete anos, quando enveredou pelo mundo da política.

Brilhou novamente nas salas de concerto e reiniciou a gravação da obra de Bach, interrompida no 15º CD de um total de 21. Estava em Sófia, na Bulgária, para gravação do 16º disco quando sofreu um assalto. Era madrugada e estava saindo do estúdio. Reagiu e foi golpeado na cabeça. O hematoma no cérebro levou à perda de movimentos na mão direita. Tinha início ali uma nova corrida de obstáculos. Martins passou oito meses fazendo um tratamento revolucionário no Jackson Memorial Hospital, em Miami, pelo qual se reprogramou para voltar a tocar usando a porção do cérebro responsável pela fala. A solução foi temporária: “Com o passar do tempo, cada palavra que eu falava era um espasmo. A dor foi crescendo de tal forma, que os médicos resolveram cortar o nervo e eu perdi definitivamente os movimentos da mão direita”.

Em 1998, horas antes de um concerto, veio a notícia: “Os médicos decidiram cortar o nervo da mão direita. Seria meu último concerto com as duas mãos”.

Consequência da cirurgia, o mundo ganhou um pianista que tocava apenas com a mão esquerda. Seis meses depois, Martins fazia concertos na Europa. Em outubro de 2002, quando estava em turnê na China percebeu que ao final das apresentações a mão ficava totalmente inchada. A causa era um tumor benigno, uma espécie de calo que cresceu sobre os nervos entre o terceiro e quartos dedos, provavelmente em razão do excesso de horas ao piano. O tumor foi extirpado em janeiro de 2003. Daí, teve que abandonar a carreira de pianista.

Em 2004 iniciou uma nova carreira, aos 63 anos, como maestro, transformando-se no músico clássico brasileiro mais requisitado no seu país de origem, seja com a sua orquestra “Bachiana Filarmónica”, seja com a sua orquestra composta por jovens talentos, na sua maioria de baixos recursos, que o Maestro faz questão de formar: a “Jovem Bachianinha”.

“Eu tinha 63 anos. Sonhei com o [maestro] Eleazar de Carvalho (morto em 1996). Ele dizia: “João, vai ser maestro na vida!”.” No dia seguinte ao sonho, Martins marcou aula com o colega Júlio Medaglia e começou a carreira de regente. “Voltei a ser um leão”, diz, antes de chorar.

A paixão pela música, no entanto, falou mais alto e, há seis anos, Martins voltou à escola para aprender regência. Hoje (2009) , aos 69 anos, ele colhe os frutos de sua superação. À frente da Orquestra Bachiana Filarmônica, subiu duas vezes ao palco do Carnegie Hall, em Nova York, lotou a Sala São Paulo na inusitada companhia da dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó e tocou ao lado do grande jazzista Dave Brubeck, também em NY. Só em 2009 foram mais de 150 espetáculos. “Fiz de cada músico da orquestra uma nota do meu piano”, diz. Sua volta por cima inclui desafios constantes. Como não consegue virar as páginas das partituras, o maestro decora sinfonias inteiras antes das apresentações.

Em junho de 2008, Martins fez a primeira visita à Fundação Casa, antiga Febem. Assinou um convênio e encontra os internos a cada 15 dias. Os alunos compõem e entregam peças ao regente que pretende organizar um concurso.

O projeto surgiu dois anos depois de consolidada a Fundação Bachiana. Com até 67 músicos, de acordo com o repertório, a Bachiana, orquestra principal da fundação, procurou seus integrantes em bairros da periferia da capital. Ao todo, com os concertos também da Bachianinha, foram 110 apresentações em 2007.

Com o tema: “A música venceu!”, foi homenageado pelo enredo da escola de samba campeã de São Paulo em 2011, a Vai-Vai

“Não, não me considero um gigante. Eu considero uma pessoa que teve um ensinamento na vida. A pessoa só sabe multiplicar depois que aprende a dividir. Eu sei que recebi um dom de Deus e eu aprendi a dividir.” (João Carlos Martins)

Seu pai, José, antes de seus 40 anos teve três quartos de seu estômago retirado e, com poucas hipóteses de sobrevivência, no entanto faleceu aos 102 anos em decorrência de um acidente.

Seu irmão José Eduardo, um pianista também famoso, foi desenganado com um câncer violento. Deram a ele não mais que três meses de vida. José Eduardo completou 70 anos em Junho de 2008, mas no dia 31 de Dezembro correu a maratona São Silvestre em São Paulo, completando todo o percurso de 21 quilômetros.

O talento do brilhante pianista e maestro João Carlos Martins gerou também dois excelentes documentários. O franco-alemão “A paixão segundo Martins”, dirigido por Irene Langemann, ressalta a vida do músico. E dá o tom para outro belo filme, o belga “Rêverie” (Sonho), de Johann Kenivé e Tim Heirman, lançado em 2006, uma radiografia delicada da sua carreira.

Deixou como legado a gravação completa da obra de J.S.Bach para teclado.

Principais sites consultados:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u454330.shtml

http://joaocarlosmartins-amusicavenceu.blogspot.com/

http://www.gurusagency.com/fotos/editor2/rhglobal_jul_ago_joao_carlos_martins.pdf

http://vejasp.abril.com.br/noticias/joao-carlos-martins-pianista

2) “Querer é poder” na visão espírita

O Livro dos Espíritos (LE):

Q. 845: “Lembrai-vos de que querer é poder.”

Q. 851. Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre-arbítrio?

“A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. Falo das provas físicas, pois, pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir. Ao vê-lo fraquear, um bom Espírito pode vir-lhe em auxílio, mas não pode influir sobre ele de maneira a dominar-lhe a vontade. Um Espírito mau, isto é, inferior, mostrando-lhe, exagerando aos seus olhos um perigo físico, o poderá abalar e amedrontar. Nem por isso, entretanto, a vontade do Espírito encarnado deixa de se conservar livre de quaisquer peias.”

Q. 852. Há pessoas que parecem perseguidas por uma fatalidade, independente da maneira por que procedem. Não lhes estará no destino o infortúnio?

“São, talvez, provas que lhes caiba sofrer e que elas escolheram. Porém, ainda aqui lançais à conta do destino o que as mais das vezes é apenas conseqüência de vossas próprias faltas. Trata de ter pura a consciência em meio dos males que te afligem e já bastante consolado te sentirás.”

As idéias exatas ou falsas que fazemos das coisas nos levam a ser bem ou malsucedidos, de acordo com o nosso caráter e a nossa posição social. Achamos mais simples e menos humilhante para o nosso amor-próprio atribuir antes à sorte ou ao destino os insucessos que experimentamos, do que à nossa própria falta. É certo que para isso contribui algumas vezes a influência dos Espíritos, mas também o é que podemos sempre forrar-nos a essa influência, repelindo as idéias que eles nos sugerem, quando más.

Q. 860. Pode o homem, pela sua vontade e por seus atos, fazer que se não dêem acontecimentos que deveriam verificar-se e reciprocamente?

“Pode-o, se essa aparente mudança na ordem dos fatos tiver cabimento na seqüência da vida que ele escolheu. Acresce que, para fazer o bem, como lhe cumpre, pois que isso constitui o objetivo único da vida, facultado lhe é impedir o mal, sobretudo aquele que possa concorrer para a produção de um mal maior.”

Q. 864. Assim como há pessoas a quem a sorte em tudo é contrária, outras parecem favorecidas por ela, pois que tudo lhes sai bem. A que atribuir isso?

“De ordinário, é que essas pessoas sabem conduzir-se melhor nas suas empresas. Mas, também pode ser um gênero de prova. O bom êxito as embriaga; fiam-se no seu destino e muitas vezes pagam mais tarde esse bom êxito, mediante revezes cruéis, que a prudência as teria feito evitar.”

Q. 866. Então, a fatalidade que parece presidir aos destinos materiais de nossa vida também é resultante do nosso livre-arbítrio?

“Tu mesmo escolheste a tua prova. Quanto mais rude ela for e melhor a suportares, tanto mais te elevarás. Os que passam a vida na abundância e na ventura humana são Espíritos pusilânimes, que permanecem estacionários. Assim, o número dos desafortunados é muito superior ao dos felizes deste mundo, atento que os Espíritos, na sua maioria, procuram as provas que lhes sejam mais proveitosas. Eles vêem perfeitamente bem a futilidade das vossas grandezas e gozos. Acresce que a mais ditosa existência é sempre agitada, sempre perturbada, quando mais não seja, pela ausência da dor.”

“Tudo é aliado do homem que sabe querer.” Machado de Assis

“É erro vulgar confundir o desejar com o querer. O desejo mede os obstáculos; a vontade vence-os.” Alexandre Herculano

Baixe aqui uma apresentação em pdf com o mesmo tema desta postagem

Sobre Adilson J. de Assis

Professor e pesquisador na Faculdade de Engenharia Química, Universidade Federal de Uberlândia. Interesses: História da Ciência e da Tecnologia; Filosofia da Ciência e da Tecnologia; Ciência e espiritualidade; Novas metodologias no ensino de engenharia.
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Uma resposta para “Querer é poder” na visão espírita?

  1. Belo exemplo de superação, fé e de luta.
    Sou uma admiradora desse grande maestro.

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