A dupla imortalidade de Frederico Chopin (2ª Parte)

“A arte deve ser o Belo criando o Bom” (1)

CHOPIN NA ESPIRITUALIDADE

Na 1a parte deste artigo apresentamos resumidamente o grande músico que foi Frederico Chopin, nascido na Polônia, país que hoje o reverencia como herói nacional, sendo sua música presente em todas as ocasiões importantes. Nesta 2a parte, examinaremos Chopin na Erraticidade, ou seja, sua situação após a sua desencarnação.

As primeiras notícias de Chopin na Espiritualidade nós as recolhemos da Revista Espírita do ano de 1859, editada por Allan Kardec. Trata-se de um diálogo, reproduzido por Zanola (2), entre um entrevistador e Chopin, sob a assistência de Mozart, também espírito. Nesta conversa, Chopin lamenta que poderia ter avançado mais em sua prévia existência como músico, dada sua inteligência peculiar. Fala que não é totalmente feliz e mostra-se um tanto quanto sombrio e triste, pois considera que falhou em parte na prova à qual foi submetido. Considerando que Chopin teve seu talento amplamente reconhecido por seus contemporâneos e não passou por grandes dificuldades financeiras, o que nem sempre é comum na história da música, que o levava a considerar que falhara parcialmente em sua prova? E em que esta consistia? Devemos lembrar que esta comunicação se deu aproximadamente 10 anos após sua desencarnação.

A saudosa (e infelizmente um tanto esquecida pelos espíritas) Yvonne Pereira, notável médium que desempenhou exemplarmente sua tarefa em solo brasileiro, relata-nos sua terna amizade com Frederico Chopin, iniciada por volta do ano de 1931, quando psicografava um romance verídico (Amor e Ódio, cujo enredo se desenrola no Século XIX) e que envolvia um tutelado de Charles, o guia espiritual de Yvonne. Tal tutelado, personagem central da referida obra, foi contemporâneo do próprio Charles em solo francês, de Victor Hugo e de Chopin. Tudo isto é narrado em “Devassando o Invisível” (3), no capítulo “Frederico Chopin, na Espiritualidade“. Aliás, tal capítulo é fonte de inúmeras reflexões a todos os espíritas que buscamos amadurecer nossas opiniões e análises. Merece ser lido, meditado e discutido!

Yvonne Pereira

Yvonne Pereira

Yvonne se refere carinhosamente a Chopin dizendo: “esse encantador Espírito (…) tem sido um dos mais ternos amigos que adquirimos através da mediunidade“. Devemos esclarecer entretanto que Chopin não concedeu mensagens literárias escritas através de Yvonne, ao contrário de Camilo Castelo Branco, Léon Denis, Bezerra de Menezes, Leão Tolstoi, Vítor Hugo e outros. Segundo este espírito, ele só sabia se exprimir através da linguagem musical, e como faltava em Yvonne elementos de cultura musical para uma obra mediúnica neste campo, não pôde nos legar através do citado médium alguma composição musical póstuma. Segundo os relatos de Yvonne, Chopin chegou a se materializar completamente, várias vezes, a ponto de sentir-lhe a respiração, a temperatura do corpo, o hálito, etc. Ele sempre se deixava entrever envolto em um halo de luz azul, acompanhado do perfume de violeta, costumeiramente afetuoso e discreto, pouco expansivo e, geralmente, entristecido. “Esta última qualidade, a melancolia, parece ser predisposição natural de seu caráter e não motivada por provações ou recordações de vidas passadas. No entanto, já o vimos chorar copiosamente, recordando sua última existência terrena.“(3) Isto se deve ao fato de que Chopin revelava profundo desgosto pelos comentários que o mundo ainda tece a respeito de certos aspectos de sua vida, segundo análise de Yvonne Pereira.

Chopin declarou à médium brasileira que “sabia ser ele muito amado pelos brasileiros, o que particularmente o enternece. Mas observa que ninguém lhe dirige uma prece, e que necessita desse estímulo para as futuras tarefas que empreenderá, ao reencarnar, quando pretende servir a Deus e ao próximo, o que nunca fez através da música.” (3) Declarou que pretende se reencarnar no Brasil, salvo resoluções posteriores, sendo que isto se verificaria somente após o ano 2000, “quando descerá à Terra brilhante falange, capitaneada por Vítor Hugo, com o compromisso de levantar, moralizar e sublimar as Artes.” (3)

As considerações tecidas por Yvonne Pereira merecem profunda meditação de nossa parte. Isto porque Chopin revela que sua missão falhou em parte por ter dado atenção de modo exclusivo ao campo artístico, esquecendo de desenvolver de modo mais pleno o amor a si próprio e ao semelhante. O mundo das artes, particularmente o da música, é tão envolvente, tão cativante, que via de regra o artista acaba se fechando em seu próprio universo criativo, olvidando outras tarefas importantes do ponto de vista do aprimoramento intelecto-espiritual. Apesar da música sublime que Chopin nos legou, o que indiretamente é um serviço ao próximo pois contribui para o aprimoramento do ser por despertar nele as sensibilidades mais refinadas, não houve por parte do compositor uma ação direta em favor de seus contemporâneos. Ademais, sua entrega sem relutância aos costumes e excessos da época, ocasionou sua morte prematura, o que lhe valeu a situação de suicida inconsciente no Mundo Espiritual.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(1) LUIZ, ANDRÉ Conduta Espírita. Psicografia de Waldo Vieira. 13a Ed. Rio de Janeiro: FEB, p. 145, 1987.
(2) ZANOLA, RENATO (coordenador) Arte e Espiritismo – Textos de Allan Kardec, André Luiz e outros autores. Rio de Janeiro: CELD, 1996.
(3) PEREIRA, YVONNE A. Devassando o Invisível. 6a Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1985.

PS:
Yvonne do Amaral Pereira
http://www.spiritist.com/yvonne.htm

Sobre Adilson J. de Assis

Professor e pesquisador na Faculdade de Engenharia Química, Universidade Federal de Uberlândia. Interesses: História da Ciência e da Tecnologia; Filosofia da Ciência e da Tecnologia; Ciência e espiritualidade; Novas metodologias no ensino de engenharia.
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